terça-feira, 8 de julho de 2014

Meia dúzia de palavras sobre o amor verdadeiro

Eu era um bêbado e vivia drogado. Tá bom, eu não era nada disso. Mas, em meados de 2013, eu andava meio sozinho, aceitando que ia envelhecer assim. Na verdade, passei a maior parte da minha vida achando isso. Pensando que eu era um fracasso em relacionamentos, afinal, só me enfiava em roubadas. É claro que essa história vai terminar com final feliz. Eu encontrei a mulher da minha vida e vamos ser felizes para sempre. Fim. Agora posso falar tranquilamente da Rê. 

Eu poderia ficar horas, talvez dias, falando dela. Mas quem ia querer ouvir? Só eu. Nem ela ia querer, já que morre de vergonha quando ganha um elogio. Que dirá dias de elogios.

Eu posso falar tanto assim dela porque o que mais fiz no último ano foi observá-la. E, quando não estamos juntos, fico pensando em tudo que observei. Como aqueles olhos são tão verdes? Como aquela voz é tão gostosa? Como pode ter tantos talentos? Aliás, ela diz que tem defeitos, mas não sei o que acontece que eu nunca consigo enxergar. Ela fica mal por fazer coisas muito, muito erradas comigo e me pede desculpas. E eu desculpo. Um dia vou perguntar por quê.

Uma das primeiras qualidades que me chamaram a atenção nela foi o senso de humor. Ela é muito engraçada. Tem tiradas ótimas. Uma das melhores é quando ela diz que tem que emagrecer. LOL. E ela fica séria, o que me dá ainda mais vontade rir.

Talvez eu esteja ficando cego de amor. Quer saber? Melhor. Assim ela me guia. 

Certa vez, meu pai disse que quando eu encontrasse a mulher da minha vida, eu saberia. E eu soube que era ela quando me peguei sorrindo enquanto a beijava pela primeira vez. E confirmei quando a peguei sorrindo também enquanto me beijava. Dois bocós.

A Rê tem uma irmã gêmea, a Rô. Eu costumo dizer que o corpo gêmeo da Rê pode até ser a Rô, mas que a alma gêmea sou eu. Ela gosta.

Deu pra conhecer um pouco da Rê? Desculpa acabar a conversa assim, mas ela tá me esperando e já faz mais de trinta anos que ela está me esperando, e eu a ela, então com licença. Gostaria de poder falar mais. Gostaria de falar a vida inteia. Tá aí, boa ideia. Vou falar a vida inteira sobre ela. Vai ser fácil. É como se falasse de mim mesmo.

Ah, se um dia você encontrar com ela e eu não estiver junto, o que vai ser quase impossível, diga que eu pedi pra dizer que ela é a minha linda, a minha vida e a minha alegria. Que eu a amo mais que tudo. Eu sei, eu sei. Digo isso toda hora pra ela, mas é que ela nunca se cansa de ouvir. E eu nunca me canso de falar. 


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Spot 30"

Ouvimos barulho de trânsito ao fundo, buzinas. Mulher diz para o marido:

MULHER: Amor, do jeito que tá, não dá.
MARIDO: Ma-mas, meu amor...
MULHER: Não, você tá me sufocando. Tá me deixando sem ar. Compra logo um Chery QQ com ar condicionado, direção hidráulica, duplo airbag, faróis de neblina...

LOC: Chery QQ. O carro completo mais barato do Brasil.

MULHER: Só 19.900,00, amorzinho. Compra, vai. 

sábado, 27 de abril de 2013

17 anos, 7 meses, 26 dias e muito amor

Cara, se tem um conselho que eu posso te dar é: nunca tenha um cachorro. Você vai se apegar a ele e amá-lo mais do que a muito ser humano. E isso não é bom, porque a ordem natural é que ele morra antes de você. E, se você tiver esse azar, vai ter um aperto tão grande no coração de ver aquela coisa, que não sabe dizer o que está sentindo, sofrendo, que nunca mais vai querer ter outro.

Mas em 1995 eu ainda não sabia disso. Com 12 anos você não tem muita noção das coisas. Quando a minha irmã começou a encher o saco dos meus pais por um cachorro, ninguém foi muito a favor. Minha avó nunca gostou da ideia de ter um bicho em casa, minha mãe dizia que não ia cuidar, meu pai bebia muito naquela época pra dizer alguma coisa e eu...bem, eu era uma criança, minha opinião não tinha lá muita importância.

Mas se chamou Minnie e não tinha mais papo. Minnie, tipo a namorada do Mickey. Depois percebi que esse nome era muito de menininha pra falar pros meus amigos. E pouco tempo depois percebemos que era mais Mini que Minnie. Ela não cresce mais que isso? Não, é poodle-mini, poodle-micro, poodle-toy, sei lá. E é marronzinha assim mesmo? Já foi mais, desbotou. E foi desbotando a cada ano.

A Minnie virou Mimi, depois Mi e, cara, em pouco tempo já tinha ganhado todo mundo. Pequenininha, com um latido gostoso que só os donos suportam, ela passou boa parte da vida curtindo um sossego deitada na barriga da minha avó e seguindo, muito antes de Twitteres e Instagrams, a minha mãe cegamente. Dava até inveja: pra onde a minha mãe fosse, a bicha ia atrás. Uma sombrinha.

Esse papo de que vida de cão é vida ruim é furado. Ela tinha uma vida de pop star, cheia de vantagens e regalias. Mas nem por isso era estrelinha. Quando ainda era forte fazia questão de dar bom dia pra cada um que acordasse. Ao jeito dela, claro: subindo nas nossas pernas, espreguiçando-se e esperando que a gente fizesse carinho. Isso quando ela não ia acordar todo mundo na cama.

É, cara, cachorro a gente se apega. Comemora aniversário, dá Feliz Natal, Feliz Páscoa, conversa achando que ele tá entendendo tudo, fica mais feliz que ele depois de um belo banho&tosa e sente uma falta do cão quando ele vai embora. É membro da família, considerado nas quebradas.

Nos últimos 3 anos, a Minnie viveu mais de amor que de água e comida. Ficou cega, teve osteoporose, AVC e, por fim, um tumorzinho na barriga, que aos poucos foi deixando de ser inho e se tornou ão. Mal se agüentava em pé, ia trombando por toda casa. Mas ia. Quando os problemas começaram, meu tio virou num almoço de domingo e disse: é, ela tá se despedindo. Meu tio se despediu 9 meses antes dela. Coisas da vida. E depois dizem que guerreiro é BBB e jogador de futebol.

É, cara, essa aí lutou pela vida. Mais do que isso, lutou pra ficar o maior tempo possível ao lado da minha mãe, a razão de vida dela. Até o último segundo elas estiveram juntas. Ela sempre deitada, numa boa. E minha mãe fazendo o que uma boa mãe sabe fazer: carregar a filha nos braços até ela dormir. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cala a Boca, Idiota!


Poucas coisas me fazem escrever nesse blog, que eu criei há uns 5 anos e utilizo muito menos do que poderia. Os últimos textos eram piegas, sobre amores e paixões que hoje não significam mais nada.

E não é que o amor e a paixão me inspiraram mais uma vez?

Só que dessa vez pra falar de um homem. Um homem que sabia amar: Marcelo Pompeu, o Mineiro.

Conheci o Minas no meu primeiro dia na Bullet. Me falaram pra chegar cedo e o cara chegou dez e lá vai pedrada. Ok. Pelo menos, chegou se apresentando “E aí, velhinho, ocê que é o novo redator? Prazer, Mineiro, seu dupla.”. Pensei “O cara é gente boa.”, mas no fim do dia meu pensamento já tinha mudado “O cara fala pra cacete, pior que mulher”. Mas, por coincidência, ele também ia em direção ao trem pra ir embora e fomos conversando. E foi assim por mais de 365 dias: “Tá saindo fora?” “Tô.” “Então, vamo aí.” “Calma, deixa eu dar uma mijada antes.” “Bora parar pra comer aquele milho?” “Tô sem grana.” “Eu pago.”.

Eram dez minutos entre a Bullet e a estação de trem, onde ele seguia pra Marginal pegar o ônibus e eu seguia pra catraca. Tempo suficiente pra ele falar, falar, falar. E eu ouvir, ouvir, ouvir. Tempo suficiente pra eu entender que ele era um homem com quatro paixões na vida: a música, a cerveja, os cachorros e, claro, a Silvia.

Como ele amava essa mulher. Era a razão da vida dele. Fazia tudo por ela. Pra ela. E ficava triste quando os horários não batiam e eles não conseguiam conversar no café da manhã. “Porra, véi, é a única hora que eu tenho pra conversar com a minha esposa. Eu dou valor a essas coisas.”. E não só a essas. Dava valor ao pão de queijo da tia da Silvia, que, segundo ele, tinha reinventado a forma de se fazer pães de queijo. Dava valor ao passeio com a Lola, às 15 cervejas que tomava vendo o jogo do Flu, à Le Dog, à recém-nascida Bones, à Turma da Mossadin, à sua Itajubá. Dava valor a uma coisa chamada vida. Talvez, por isso, se preocupava tanto com ela.

Mas é claro que ele tinha defeitos: achava 300 o maior filme de todos os tempos, torcia pro Fluminense, se autodenominava “O
Único Diretor de Arte e Gato” do mercado. Isso sem falar que era um mineiro que não gostava de almoçar em restaurante de comida mineira.

Eu sou ateu e agnóstico. Mas acredito que algumas coisas acontecem porque...porque, simplesmente, acontecem. E quis o destino que o Pompeu, e não o Mineiro, se despedisse da gente no Dia do Músico. Porque antes de ser publicitário e um dos melhores diretores de arte com quem tive o prazer de duplar, ele era músico.

Vá com o seu deus, meu parceiro. E não se esqueça de mostrar pra ele a sua Nossa Senhora tatuada no braço. Se cruzar com o Elvis, aproveite pra treinar o seu inglês. O Peter vai ficar orgulhoso.

PS: o título desse texto era a forma gentil como ele me respondia toda vez que eu o provocava, dizendo que Elvis era viado. É como eu sempre digo: não há maior prova de amizade que uma agressão gratuita.

terça-feira, 12 de junho de 2012

E-mail Marketing Sincero de Incentivo

Prezado e grandessíssimo filho da puta,

O senhor, com essa cara de bunda, vai receber a porra de um material sobre um programa de incentivo que vai fingir que você é essencial para a empresa. Mas é mentira. O que a gente quer é que o senhor e essa sua cara mijada vendam mais os nossos produtos que os da concorrência. Por isso, fique atento: venda para caralho para concorrer a uma viagem meia boca, que não tem tudo pago como a gente adora dizer. Aproveite!!!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Disk Pizza for Men

Homem liga para o Disk Pizza for Men:


Voz sensual de Mulher: Boa Noite!
Homem: Oi, eu queria fazer um pedido.
Mulher: Pede. Pede o que você quiser.
Homem: É, bem, eu queria uma pizza de Calabresa…
Mulher: Hummm! Adoooro calabresa. Inteira, claro.
Homem sem entender: Bom…continuando…uma pizza de Calabresa com Catupiry.
Mulher morde os lábios: Hummm, onde você quer que jogue o catupiry, hein? Me fala.
Homem: Como onde? Na calabresa.
Mulher grita: UAU!
Homem: Aí é massa fina ou massa grossa?
Mulher: Grossa, bem grossa.
Homem: Você tem lombo?
Mulher: Te lambo.
Homem: Perguntei se você tem lombo.
Mulher: O suficiente pra te satisfazer.
Homem: Tem Carmelita?
Mulher: Tem Carmelita, Carmenzita, Natasha, Rochele…
Homem: Então eu quero meia Carmelita e meia Espanhola.
Mulher: Só meia espanhola??? Eu faço até o fim se você quiser.
Homem: E Gorgonzola?
Mulher: Já tô quase. Não para! Não para!
Homem: Bom, acho que é só isso.
Mulher: Já acabou? Você é ligeirinho, hein.
Homem: Quanto é?
Mulher: 50 + impostos. 
 

domingo, 16 de outubro de 2011

O amor não me inspira

Eu gosto é da tristeza

Da sangria

A solidão me acompanha

Muito antes

De o amor me ser apresentado

Amar é fácil

Sofrer é que é difícil

Lágrimas

Combustíveis inflamáveis

Cada gota

Afasta mais as lembranças

É assim que é

Sem pausas sem pontos finais

Sem respiro

Vou viver uma vida inteira

E amores

Esses que todo mundo busca

Vão embora

Como urina acumulada

Nojo

O amor é nojento e fétido

Bom mesmo

Bom mesmo é o desgosto

Esse sim

Traz a maior de todas as inspirações

A mágoa